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Não é daquí é da China
 
 
Por:  Kleber Henriques Massi *
Professor da EMEF CEU BT   
Texto lido, e comentado, no "Sarau de poesias e imagens-China"
em 26/6/2012 nesta biblioteca, com imagens compartilhadas de
viagem à China pela Prof.Cristina Garcia Vilaça,
Diretora aposentada do EMEI CEU BT
 
 
 
Desde criança - hoje em 2012 com 63 anos - a minha vida, assim como a de muitas pessoas, de alguma forma esteve ligada às coisas da China.
 
Eu me lembro muito bem na época das festas juninas em que as crianças gostavam de soltar balões. E como nem todos sabiam fazê-los a alternativa era comprar um balão já pronto, era o conhecido balão chinesinho. Havia de vários tamanhos, mas geralmente pequenos na forma de peão, e já vinham com uma pequena tocha resinada. Por isso voavam pouco e eram praticamente inofensivos. Sem contar também a beleza dos fogos de artifícios - uma contribuição chinesa. Afinal de contas, foram eles que inventaram a pólvora.
 
Convém não esquecer dos pipas - os papagaios ou quadrados de antigamente - cujas armações eram feitas de varetas de bambu e papel de seda colado. Esses brinquedos coloridos e geométricos foram notavelmente desenvolvidos pelos chineses, tanto pela utilização do bambu quando do papel de seda.
 
Depois, e durante muitos anos, quando queríamos comer pasteis, tínhamos de ir a uma pastelaria chinesa. E o que não dizer do macarão, muito apreciado pelos italianos. Pois, não se enganem que se trata de uma invenção chinesa.
 
Já em outra etapa da vida, como estudantes, na hora de fazer os trabalhos escolares com desenhos em cartolina ou papel vegetal, era inevitável e quase obrigatório o uso de tinta nanquim - quem já não ouviu falaar dela. Pois bem, era uma tinta preta dentro de um pequeno vidro quadradinho. Essa tinta, por ser de origem chinesa - daí o nome Nanquim - foi e é até hoje muito usada nos ideogramas e nas escrituras chinesas.
 
Agora, falando em escrituras, convém não esquecer que o papel e a tipografia também são invenções chinesas.
 
Então, quando da adolescência nos momentos de descobertas através de nossas leituras de auto-ajuda ou filosofia, a solução era recorrer às leituras dos textos, mensagens e pensamentos de Confúcio - filósofo e pensador Chinês.
 
Mas ao chegar à juventude quantos de nós, na tentativa de sermos diferentes e despojados, não passamos a usar - quase como regra - as sapatilhas chinesinhas,  complementadas com harmonia por roupas soltas e "demodé". Talvez na onda das lutas marciais.
 
Aproveitando que mencionei as lutas marciais; vale ressaltar a grande influência dessa arte - pois é como os chineses a consideram - principalmente a modalidade Kung Fu, muito praticada, sendo até motivo de filmes.
 
Já as mulheres, nos dias muito quentes, necessitam de um abano conseguido com um leque de abrir - coisa de chinês. E para se protegerem do sol muito forte essas mesmas mulheres, em geral também se utilizam da sombrinha, que não se esqueçam foi inventada pelos chieses. E olha que na época ainda não se falava em globalização.
 
Até em nossos diálogos com os parentes e amigos se nos encontrássemos em situação de controvérsia ou discordância que viessem nos prejudicar de alguma forma dizíamos; o que? Isso não! Mas nem aqui nem na China.
 
A questão é que o tempo passou e hoje em dia, justamente devido à globalização, a China e seus produtos não passaram apenas a determinar alguns de nossos hábitos. Mas já entraram em nosso cotidiano, como alternativa de produtos de toda natureza. Assim é que, podemos encontrar desde um simples alfinete, passando pelos instrumentos musicais até o mais sofisticado computador, chegando ao mais possante automóvel.
 
Nota:
 
Após essa breve explanação cabe uma reflexão: todos esses eventos e contribuições aos nossos costumes não vem de agora. Mas sim, desde o Brasil Colônia com os viajantes jesuítas que vindos de suas incursões ao oriente nos transmitiram aquelas novidades e conhecimentos.
 
No entanto, é bom termos sempre em mente que quando abordamos sobre a China, estamos nos referindo a um país de povos,  costumes e cultura milenares. E esse fato é de uma relevância importantíssima. Só commparável às influências de Grécia e de Roma antiga aos povos e culturas ocidentais.
 
Kleber é paulistano, casado e pai. Filho de Leontina e Luiz, nasceu em 1948.
É engenheiro, professor, escritor e reside atualmente em São Paulo. Autor do livro Impressões, editado pela ed. Scortecci, e disponível para empréstimo na Biblioteca Jornalista Roberto Marinho, do CEU Butantã.
 
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